Ouço o sino tocar na Igreja do Rosário que fica do outro lado da rua da minha casa. Resolvi vestir uma calça e ir à missa sozinho mesmo, já que não tinha tempo o suficiente para chamar alguma companhia, foi até melhor pois só assim eu me concentraria melhor.
Cheguei tímido e resolvi sentar na última fileira para não chamar atenção, percebi que as pessoas pegavam um jornalzinho que era o roteiro da missa. Tarde demais para eu voltar e pegar um para mim, eu já estava encurralado no banco ao lado de senhoras e mais um cara da minha idade. Logo percebi a falta que esse roteiro fez, todos acompanhavam a leitura junto com uma senhora que estava no púlpito, logo após subiu uma menina de uns 12 anos que fez a mesma coisa, a pequena tinha boa dicção e um sutil gaguejo de nervosismo, foi a única que eu consegui escutar com clareza durante os 53 minutos de missa.
Finalmente chega a hora do padre falar, não sei o nome dele, mas sei que é brasileiro, a príncípio achei que ele falava em latim, mas logo minha empolgação diminuiu quando percebi que o que me fez achar isso foi o som da igreja que era péssimo (deviam aprender com os evangélicos que fazem muito bem em se preocupar com a qualidade do som), mais a dicção do "chefe da família" (não tem fono nos seminários?) mais a minha posição desprevilegiada no fundo da capela, não entendi seu sotaque com as palavras terminadas em "ão", ele dizia "descriminaçon" e "proteçon", creio ter escutado 30% do que ele disse, e nada profundo que me fizesse refletir ou absorver, tinha ido pensando que seria um sermão elegante como aquele interpretado por Philip Seymor Hoffman no filme Dúvida, mas isso é muita ilusão já que se trata de Hollywood e não do interior de Minas Gerais.
Durante a missa havia pessoas que cochilavam, um casal que se beijava, uma beata com um terço gigante na mão que se dava ao trabalho de contar quantas pessoas entravam na igreja. Confesso que fiquei muito perdido, não sabia a hora de ficar em pé, tive de acompanhar os fieis e devo ter me levantado no mínimo nove vezes, me sentei quando todos se ajoelharam de repente (tem esse comando no jornalzinho? Poxa, devia ter pegado, não vou vacilar na próxima), o tempo foi passando, eu fui tentando compreender as palavras do padre, o que estava cada vez mais difícil.
Houve uma movimentação no altar, era a hora da comunhão, o padre ficou no centro e duas mulheres vestidas de branco se posicionaram em cada parede, as pessoas se levantavam e pegavam a hóstia. Pensei em ir pegar uma também, mas isso seria muita falta de respeito e fiquei lá sentado esperando o povo voltar enquanto lembrava de uma amiga que me disse fazer doces com hóstia, profano, não?
Logo a missa terminou com avisos de reuniões da eucaristia, funções em outras igrejas, pedidos para comprar velas para serem abençoadas e o valor de arrecadação da noite, noventa e dois reais.
Sai da igreja frustrado, esperava algo melhor, mais marcante ou discordante, mas o que encontrei foi uma cerimônia fria, distante e um tanto passiva, não há reflexões, imposições ou fervorosidade. É totalmente esquecível. Há muitas pessoas com expressões indiferentes, como se estivessem ali somente pela obrigatoriedade do ritual. Quero ir em outras missas e igrejas, quem sabe mude meus conceitos e me surpreenda, mas duvido.
domingo, 3 de abril de 2011
quarta-feira, 30 de março de 2011
Era o verbo.
Um simples escapulário pode despertar a sua curiosidade da forma mais repentina. Nunca fui de usar amuletos de sorte ou proteção, mas na tarde de 28 de março deste ano, antes de sair para a faculdade, onde faria uma prova em que estava muito nervoso e inseguro, me deparei com esse simples cordão de prata com duas extremidades de ouro com uma imagem de Jesus Cristo numa ponta na outra a de Virgem Maria, ambas com descrições nos versos de "O Senhor Te Proteja e Te Guarde", esse objeto foi esquecido por um amigo que eu hospedei por um dia.
Será que usar amuletos de outras pessoas pode trazer cargas negativas do dono? Se ele se sente abençoado usando-o que mal tem em eu usar também? Se o catolicismo comanda meu país e já dominou o mundo na Idade Média, alguma força essa religião deve ter - foram essas perguntas e dúvidas que me desafiaram colocar o escapulário no pescoço para saber se ele poderia ter algum efeito em mim, positivo ou negativo, apenas tentei acreditar que poderia me proporcionar alguma experiência naquele momento de ansiedade, fui para a van e me desliguei disso durante a viagem. Já na hora da tão esperada prova respirei fundo e comecei a fazê-la quando senti o escapulário no meu pescoço e de alguma forma eu fiquei mais calmo. Como fui criado no meio evangélico por longos anos e pelo formato que o próprio escapulário tem, uma medalha no peito e a outra nas costas, logo lembrei do Salmo 121:8 que diz "O Senhor guardará a tua saída e a tua entrada, desde agora e para sempre."
Fiz boa prova, tirei uma nota considerável, não atribui isso ao amuleto ou alguma outra força divina, mas sim nos meus estudos semanas antes. Entendo que focar a fé em alguma coisa, mesmo um objeto possa acalmar, aconteceu comigo, mas por que os religiosos tendem sempre transferir seus próprios méritos ou fracassos à divindades? Seria uma forma de fuga ou de transferência de culpa por suas incapacidades e incompetência? É aí que eu noto o quão carente, cego e desesperado o homem é. Mas o que se pode fazer quando a religião é um grande dominador com o controle social?
Desde que o mundo é mundo o homem tem a necessidade de ter um deus, mas as religiões parecem ter a mesma origem, o mesmo final e o mesmo propósito: a salvação, a tão sonhada paz interior e recompensas por uma vida sofrida ou regrada debaixo das leis impostas por livros e mestres espirituais.
Posso estar sendo ignorante, leviano ou superficial, mas conversando com um amigo que demonstra interesse em religiões não-cristãs, decidi pesquisar um pouco, dentro dos meus limites, sobre religiões para poder entender melhor esse fascínio que o homem tem e que de certa forma o deixa escravizado. Aproveitando que é quaresma e páscoa no mês de abril, procurarei ver de perto o que acontece com a famosa e respeitada Igreja Católica. Sendo eu pagão para essa igreja, nunca ter ido a uma missa, e sendo educado pelos evangélicos a criticar, reprovar e compadecer por suas adorações a santos e à Maria (o que nada mais é que uma visão rasa e altiva dos evangélicos), vejo que é uma boa oportunidade para tirar minhas próprias conclusões e expandir minha mente.
Será que usar amuletos de outras pessoas pode trazer cargas negativas do dono? Se ele se sente abençoado usando-o que mal tem em eu usar também? Se o catolicismo comanda meu país e já dominou o mundo na Idade Média, alguma força essa religião deve ter - foram essas perguntas e dúvidas que me desafiaram colocar o escapulário no pescoço para saber se ele poderia ter algum efeito em mim, positivo ou negativo, apenas tentei acreditar que poderia me proporcionar alguma experiência naquele momento de ansiedade, fui para a van e me desliguei disso durante a viagem. Já na hora da tão esperada prova respirei fundo e comecei a fazê-la quando senti o escapulário no meu pescoço e de alguma forma eu fiquei mais calmo. Como fui criado no meio evangélico por longos anos e pelo formato que o próprio escapulário tem, uma medalha no peito e a outra nas costas, logo lembrei do Salmo 121:8 que diz "O Senhor guardará a tua saída e a tua entrada, desde agora e para sempre."
Fiz boa prova, tirei uma nota considerável, não atribui isso ao amuleto ou alguma outra força divina, mas sim nos meus estudos semanas antes. Entendo que focar a fé em alguma coisa, mesmo um objeto possa acalmar, aconteceu comigo, mas por que os religiosos tendem sempre transferir seus próprios méritos ou fracassos à divindades? Seria uma forma de fuga ou de transferência de culpa por suas incapacidades e incompetência? É aí que eu noto o quão carente, cego e desesperado o homem é. Mas o que se pode fazer quando a religião é um grande dominador com o controle social?
Desde que o mundo é mundo o homem tem a necessidade de ter um deus, mas as religiões parecem ter a mesma origem, o mesmo final e o mesmo propósito: a salvação, a tão sonhada paz interior e recompensas por uma vida sofrida ou regrada debaixo das leis impostas por livros e mestres espirituais.
Posso estar sendo ignorante, leviano ou superficial, mas conversando com um amigo que demonstra interesse em religiões não-cristãs, decidi pesquisar um pouco, dentro dos meus limites, sobre religiões para poder entender melhor esse fascínio que o homem tem e que de certa forma o deixa escravizado. Aproveitando que é quaresma e páscoa no mês de abril, procurarei ver de perto o que acontece com a famosa e respeitada Igreja Católica. Sendo eu pagão para essa igreja, nunca ter ido a uma missa, e sendo educado pelos evangélicos a criticar, reprovar e compadecer por suas adorações a santos e à Maria (o que nada mais é que uma visão rasa e altiva dos evangélicos), vejo que é uma boa oportunidade para tirar minhas próprias conclusões e expandir minha mente.
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